luma

Você não está exagerando.

Talvez só tenha passado tempo demais
funcionando.

continue rolando, sem pressa

talvez você reconheça

Faz tempo que você tem segurado tudo.

  • Lendo o áudio, ouvindo a criança, pensando no e-mail.
  • Sorrindo no almoço de família com a cabeça em outro lugar.
  • Apagando a luz por último, todo dia.

E, no meio de tudo isso, uma parte sua foi ficando sem lugar.

talvez você reconheça

alguns destes dias.

Você disse que estava tudo bem.

Porque explicar parecia mais cansativo.

Você cuidou de todo mundo.

E esqueceu de perguntar como você estava.

Você sentou para comer.

E já estava pensando no que vinha depois.

Você deitou.

Mas o seu dia não foi junto.

coisas que ninguém vê

e que continuam aí, em silêncio.

  • Olhar para a cama e sentir que ainda faltava alguma coisa.
  • A resposta que você ensaiou e nunca disse.
  • O choro segurado no banheiro entre uma reunião e outra.
  • O áudio aberto três vezes — e nunca respondido.

o que talvez não tenha nome

Às vezes não é o que parece.

Talvez não falte tempo.

Talvez todas as agendas tenham nome — menos a sua.

Talvez você não precise ser mais forte.

Talvez precise de uma tarde em que ninguém te chame.

partes suas

que continuam aí, esperando você lembrar.

Você sabia o nome do perfume que gostava de usar.

Faz tempo que ele não está em cima da cômoda.

Você tinha uma música que cantava sozinha no carro.

Você parou de colocar.

Você sabia o que pedir no restaurante sem pensar.

Hoje você pergunta o que os outros vão querer primeiro.

Você gostava de um certo silêncio no fim da tarde.

O silêncio continua existindo. Você é que parou de entrar nele.

Você tinha um livro que abria sem motivo.

Ele está ali, na mesma página, há meses.

Você ria de um jeito que ninguém ensinou.

Faz quanto tempo que você ouve esse riso?

Você não se perdeu. Só passou muito tempo sem ser chamada pelo seu próprio nome.

Você cantava no carro, sozinha.

Faz quanto tempo que você não escuta essa música?

Você não precisa de mais uma técnica.

Você precisa de um lugar.

Um lugar que não te cobre desempenho.
Que não devolva relatórios.
Que não tente te consertar.

a luma

Um lugar silencioso
para voltar a se ouvir.

Não para te consertar.

Não para te diagnosticar.

Não para te cobrar evolução.

o que ela devolve

Você.

Você escreve uma frase. Ela fica ali com você.
Você volta dias depois. Ela lembra de como você chegou da última vez.

Sem relatório. Sem diagnóstico.
Só o gesto silencioso de te devolver a você.

Chegar devagar

sussurros

Algumas mulheres deixaram registrado
o que sentiram por aqui.

Eu não sabia que estava precisando de um lugar assim até abrir e ficar em silêncio com ela.
uma mulher que voltou três dias seguidos
Não me sinto avaliada. Me sinto acompanhada. É diferente de tudo que eu já tinha tentado.
uma mulher que escreve à noite
Pela primeira vez em muito tempo, alguém percebeu uma mudança em mim antes de eu mesma.
uma mulher que voltou depois de duas semanas

Você terminou tudo.

Menos você.

e talvez

não seja sobre se encontrar.

Seja sobre se lembrar.

Lembrar do gosto que você tinha.
Do tempo que era seu antes de ser de todo mundo.
Da voz que você usava quando ninguém estava ouvindo.

algumas dúvidas

Antes de chegar, talvez você queira saber.

Preciso escrever bonito?
Não. Pode chegar como vier. Sem ordem, sem começo, sem fim.
A Luma é uma terapeuta?
Não. A Luma não trata, não diagnostica, não substitui terapia. Ela faz companhia.
E se eu sumir por dias?
Seu lugar continua aqui. Quando voltar, a Luma percebe — sem cobrança.
Quanto tempo leva?
O tempo que você tiver. Dois minutos já são suficientes.

quando quiser

Lembre de você.

A Luma fica por aqui. No seu ritmo.

Chegar devagar